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19 de out. de 2013

Editorial O Estadão - Dilma e seu tripé de fantasia.

Imagem retirada da internet, link aqui
Dilma e seu tripé de fantasia- Editorial O Estadão.
Contra todos os fatos e evidências bem conhecidos no Brasil e no exterior, a presidente Dilma Rousseff negou haver abandonado o tripé da estabilidade econômica – as metas de inflação, a busca do equilíbrio das contas públicas e o regime de câmbio flutuante. Talvez a declaração, embora obviamente falsa, tenha sido feita de boa-fé, por desconhecimento do sentido próprio das palavras e dos fatos.
Segundo a presidente, a inflação tem ficado na meta e está sob controle, assim como as contas públicas. Só pessoas extremamente desinformadas poderiam levar a sério esse discurso.
A presidente abusa das palavras – talvez por inocência, convém admitir – ao falar sobre a inflação sob controle e “dentro da meta”. A meta é obviamente 4,5% e é esse o conceito usado pelo Banco Central (BC). A margem de dois pontos para mais ou para menos é apenas um espaço de tolerância, para ser usado em circunstâncias excepcionais. A inflação nunca esteve na meta, na gestão da presidente Dilma Rousseff, e ficará longe desse ponto ainda por uns dois anos, segundo projeções das autoridades monetárias.
Classificar como “sob controle” uma inflação anual na faixa de 5,8% a 6% ou é um sinal de absoluta desinformação ou configura uma tentativa bisonha de enfeitar um cenário muito feio. Não é fácil de escolher uma das duas possíveis explicações.
A defesa da política fiscal é igualmente inepta e chega a ser quase cômica. Os resultados fiscais, muito magros e cada vez piores, só têm sido alcançados com a participação crescente de dividendos pagos por estatais e com o recurso a truques contábeis conhecidos no Brasil e no exterior. Neste ano, prêmios pagos por empresas interessadas na exploração do pré-sal devem fortalecer o caixa do governo. Há meses a equipe econômica vem listando essa receita em suas projeções, numa demonstração de quase desespero diante da piora constante das contas públicas.
Além disso, mesmo os pífios resultados fiscais só têm sido apresentados, nos relatórios do governo, graças à famigerada contabilidade criativa, conhecida e tratada como tema de piada dentro e fora do País. Talvez a presidente seja pouco informada sobre esses detalhes. Ou talvez considere os comentários sobre o assunto meras demonstrações de má vontade e de pessimismo “adversativo”. Expressões como essa indicam formas peculiares de perceber e de avaliar o mundo.
A dívida bruta do setor público é também um claro indicador de uma política fiscal perigosa. Pelos cálculos do Fundo Monetário Internacional, a dívida pública brasileira está na faixa de 68% do Produto Interno Bruto (PIB), quase o dobro da média dos emergentes, em torno de 35%. Pelas contas oficiais brasileiras, a proporção é da ordem de 58% do PIB. Por qualquer critério, a situação é menos segura que a dos países da mesma categoria econômica.
Somados os principais componentes do quadro, o Brasil apresenta inflação mais alta, endividamento público maior e crescimento econômico menor que aqueles apresentados por muitos países emergentes e em desenvolvimento.

11 de out. de 2013

Ademocrático. Escrito por Cecília Maria Vidigal Ferreira.


Figura retirada da internet, link aqui.

Li esse texto em um jornal local, após a leitura disse para mim mesmo: -Simplicidade aliada a uma perspicácia tremenda, visceral, tenho que pedir autorização para reproduzi-lo. O fiz via Facebook, e sua autora gentilmente respondeu autorizando a reprodução. Sorte nossa!

A vida está cheia de "Josés" pessoas que acreditam em seus ideais mas são compelidas a continuarem como estão face a quantidade enorme de aborrecimentos que teriam que enfrentar se autênticas fossem o tempo todo. Por outro lado, talvez, nem seja a questão de ser autêntico, mas de convencer os outros o quanto esperamos que eles façam por nós o que por lógica É NOSSO DIREITO. Confesso! Sou mais um "José". Prometo que vou acordar Cecília, prometo...

Sobre a autora: Membro da UBE e da Academia Araçatubense de Letras. Licenciada em Artes Plásticas (FEBASP), Bacharel em Jornalismo, e pós-graduada em Linguagem e Comunicação (UniToledo). Cronista da Folha da Região. Autora dos livros de poemas: Instantâneos (Massao Ohno); e Vinhos (Nankin); Editora e Revisora, com prazer e orgulho.)
O Negrito no texto foi por mim colocado.
Ademocrático

Um rapazote, no distante país Faz de Conta, abre o caderno pleno de páginas por escrever. A professora quer que alunos criem palavra nova, que não se ache no dicionário e que em crônica faça sentido. 

José começa: Era uma vez um governo democ... 

Democrático? Não. Nessa onda de nada gerenciar, nada organizar e por nada ser responsável o termo “democrático” não fica aquém, nem além porque simplesmente nada representa, não cabe. Ademocrático é melhor.

Porque o antidemocrático se opõe à democracia, mas ademocrático é aquele que não vai contra, nem a favor. Muito pelo contrário. Meio que em cima de muros, detrás de máscaras, apaniguado sob siglas raivosas, equilibrado sobre gente com preço. 

Imagina-se a defender o texto: Profa, quero dizer ademocraticamente usurpadores. Usurpadores de quê, moleque? Uai, profa, da moral, do desenvolvimento, segurança, saúde, infraestrutura... Tipo: ademocrático, o governo que paga pouco, porém adiantado, pelo aluguel de pessoas-base que comprometerão o futuro de todos. 
Bela definição! 

José se anima e desenha o título da redação: O Barato Sai Caro. Segue desenhando pensares: Era uma vez uma ademocracia estática feito lixo tóxico, que de parada purgava quilos de podridão a encharcar os solos, e o sê-lo de cada ser, dia e noite impregnando entornos num lento escoar de azedos chorumes por nascentes, rios, mares... 

José, pesquisa. Navega e lê que em países evoluídos poluir águas ou terras resulta em pesadas multas. Em seu país a multa existe, mas dado que certa empresa do Governo Federal polui o mesmo rio há anos sem nunca tomar a mais mínima providência, não funciona. Descobre que em Faz de Conta navios chegam trazendo muitos contêineres de lixo tóxico vindos de terras ricas e suas indústrias altamente poluentes. Como entrariam sem encontrar autoridades corruptas com facilidade? Deve ser porque aos países cumpridores da lei o mais barato é pagar o transporte e comprar os corruptos de países nada sérios. 

José segue clicando. Uma página eletrônica após outra garante: lixo tóxico é sinônimo de câncer e envenenamentos. E porque povo estudado produz políticos cultos, países ricos não envenenam a própria terra. Assim os altamente industrializados podem e querem pagar para descartar seus resíduos sólidos onde a corrupção brotar mais fácil que a soja.

Então em Faz de Conta acontece uma propaganda para convencer o povo de que lixo é riqueza. E mesmo sabendo que nenhuma lei os levará à cadeia, buscam modificar a lei dos resíduos sólidos porque é mais barato e menos desgastante para a imagem pública evitar os longos julgamentos. 

Quem tem cargo sem consciência não se importa se o que virá serão embalagens cheias de restos de agrotóxicos, de produtos radioativos em decomposição, de lixo hospitalar altamente contaminado e outras velhacarias. Porque não nos enviarão recicláveis, claro! E quem envia, sem querer, ou talvez querendo, mata dois coelhos de uma só cajadada: livra-se dos dejetos e acaba com a concorrência do país do futuro. 

Faz de Conta ainda não se ajoelhou, chapéu na mão, morto de fome, no fundo do poço para achar que lixo é luxo, escreve José em sua indignação para com os ademocratas e suas putrefações contaminantes. Se ninguém contiver a ganância pública o povo morrerá à míngua no mais lento condenar. Talvez não os filhos, mas com certeza os netos e bisnetos da nação.

De repente José cai em si, e se a professora, tão subjugada ao sistema, der nota baixa só por discordar? Tanto professor coerente no mundo, fui cair com essa, suspira José. 

Um luto de viver penetra nosso quase herói. Acomodando as entranhas, José toma da borracha e reescreve o título de sua redação a fim de cavar outro inútil enquadrante dez: Minhas Férias.

Tanta gente no mundo! Que lutem por mim, conclui ademocraticamente.




29 de set. de 2013

A retórica da pobreza e a pobreza do investimento - Rolf Kuntz.

Eles estão certos?
Imagem retirada da internet, link aqui.
ROLF KUNTZ - O Estado de S.Paulo - link original:http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,a-retorica-da-pobreza-e-a-pobreza-do-investimento--,1079678,0.htm extraído em: 29/09 äs 11h27.
O governo tirou da pobreza extrema em apenas dois anos 22 milhões de brasileiros, disse a presidente Dilma Rousseff, em Nova York, em discurso na Assembleia-Geral das Nações Unidas. Se isso for verdade, essa terá sido a informação mais importante da fala presidencial - muito mais importante que a maior parte do palavrório pronunciado naquele dia por vários governantes. 
Falta esclarecer um detalhe: se as transferências governamentais forem interrompidas, quantas daquelas pessoas serão capazes de se manter fora da miséria? Quantas se tornaram, nos últimos dois anos, mais produtivas e menos dependentes de auxílio oficial? 
Nenhuma pessoa razoável se opõe a programas de socorro aos mais necessitados. Mas por quanto tempo será possível manter programas tão amplos, e com efeitos ainda pouco claros sobre a capacidade produtiva, se a economia continuar avançando tão lentamente quanto nos últimos dois anos e nove meses?
Por enquanto, as previsões mais otimistas apontam para este ano um crescimento econômico de 2,4%. Essa expansão será puxada, segundo as novas projeções da Confederação Nacional da Indústria (CNI), por investimentos 8% maiores que os do ano passado. Essa é a parte mais interessante do cenário. Se as estimativas forem confirmadas, o aumento do produto interno bruto (PIB) terá sido alimentado, em 2013, menos pelo consumo do que pela aplicação de recursos em máquinas, equipamentos, instalações diversas e obras de infraestrutura. A expansão econômica ainda será modesta, mas o potencial de crescimento será reforçado e resultados melhores poderão surgir em breve.
Mais uma vez, no entanto, o quadro fica bem menos bonito quando se examinam os detalhes. A maior parte do crescimento da produção de bens de capital - máquinas e equipamentos - foi concentrada no setor de material de transporte, especialmente de caminhões. Boa parte da expansão dependeu também da indústria de equipamentos agrícolas, pormenor facilmente explicável pelo bom desempenho da agropecuária, o setor mais dinâmico da economia nacional. Além disso, a retomada da produção de bens de capital para fins industriais pode estar perdendo impulso. Em junho, havia sido 21,4% maior que a de um ano antes. Em julho, a diferença diminuiu para 13,3%, detalhe notado no Informe Conjuntural da CNI. Essa diferença para mais pode ainda parecer considerável, mas a base de comparação é muito baixa.
No conjunto, a aplicação de recursos em bens de capital, instalações e obras de infraestrutura continuará muito abaixo da necessária para um crescimento menos medíocre, se as projeções da CNI estiverem corretas. Em 2011, a soma dos investimentos em capital fixo dos setores público e privado equivaleu a 19,3% do PIB. Em 2012, a proporção caiu para 18,1%. Neste ano, chegará a cerca de 19,1%, se o PIB crescer 2,4% e o investimento, 8%. A meta governamental, já modesta, é alcançar 24% do PIB, taxa obtida nos anos 70 e nunca repetida nas décadas seguintes. Esse objetivo parece ainda muito distante.
Não há acordo, entre os economistas, quanto ao potencial de crescimento econômico do País. O cálculo é complicado, mas o conceito é importante, porque indica o ritmo de expansão sustentável sem novos desequilíbrios. As avaliações mais sombrias indicam um limite na vizinhança de 2% ao ano. As estimativas mais otimistas ficam próximas de 4%. Nem na melhor hipótese, no entanto, a economia brasileira poderá crescer tanto quanto as mais dinâmicas da região - na faixa de 4% a 6% ao ano - sem acumular pressões inflacionárias e desarranjos nas contas externas. Poderá haver um arranque temporário, mas faltará fôlego para uma corrida prolongada.
Mesmo com o crescimento pífio dos últimos anos, o Brasil já acumulou problemas consideráveis. A inflação continua elevada para os padrões internacionais e deve continuar em alta nos próximos meses, depois de um breve arrefecimento no meio do ano. O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, reafirmou em Nova York, num encontro com investidores, o compromisso de continuar buscando a meta de 4,5%, mas ninguém pode dizer com alguma segurança quando a convergência ocorrerá. Um dos principais obstáculos, a farra das contas públicas, deve atrapalhar o combate à inflação ainda por um bom tempo. Quem espera austeridade em tempo de eleição?
Do lado externo, o cenário continua ruim. O BC reduziu de US$ 7 bilhões para US$ 2 bilhões o superávit comercial estimado para o ano. A CNI cortou sua projeção mais drasticamente - de US$ 9,2 bilhões no Informe Conjuntural de junho para US$ 1,76 bilhão no documento recém-divulgado. O BC manteve, no entanto, a previsão de um déficit em transações correntes de US$ 75 bilhões, equivalente a 3,35% do PIB. O investimento direto estrangeiro deverá chegar a 2,64% do PIB. Parte do buraco nas contas externas será coberta, portanto, por outras formas, em geral menos saudáveis, de financiamento.
Não há desastre à vista, até porque o País dispõe de mais de US$ 370 bilhões de reservas, mas a situação poderá ficar mais complicada se a confiança no País cair acentuadamente. O risco é tangível. O Cristo Redentor representado como um foguete em decolagem numa capa da revista The Economist de 2009 foi substituído, na última edição, por uma figura no rumo do desastre, depois de um voo descontrolado.
O desafio imediato, na agenda do governo, é atrair capitais privados para os grandes projetos federais de investimento. Para isso a presidente e as principais figuras da equipe econômica foram a Nova York. O resultado será visto nas próximas licitações. Mas a presidente faria bem se pusesse no alto da agenda medidas para uma recuperação mais ampla da credibilidade - a começar por uma política fiscal mais séria e sem contabilidade criativa, já desmascarada em todo o mundo.

23 de ago. de 2013

Quatro palpites sobre um bate-boca - ARTIGO - ROBERTO DA MATTA.

Enquanto isso numa terra tão, tão distante...
Imagem retirada da internet, link aqui, 
Quatro palpites sobre um bate-boca.
·         O sinal dos tempos no Supremo tem sido o estilo sincero e desabrido — honesto pela raiz — do estruturalismo de Joaquim Barbosa
·          
ARTIGO - ROBERTO DAMATTA
Publicado:21/08/13 - 0h00
Quando menino, minha avô Emerentina me solicitou um palpite para o jogo do bicho, uma atividade que ela praticava com a mesma religiosidade com que fazia as suas orações matinais. Pensei num filme de Tarzan e chutei: elefante!

O elefante deu na cabeça e dela recebi um dinheiro que virou bombons de chocolate.

São 25 bichos, conforme determinou o cânone do Barão de Drummond, o inventor disso que Gilberto Freyre dizia ser um “brasileirismo”. Algo genuinamente brasileiro, ao lado da feijoada, das almas do outro mundo, do samba, da corrupção oficial, do suposto orgasmo das prostitutas e do “rouba mas faz”. Quanta inocência existe entre nós. É de enternecer.

Palpite 1 (avestruz)
O ministro Joaquim Barbosa tem sido tratado como um Drácula brasileiro por dizer o que pensa e sente. Mas, no Brasil, eis o meu primeiro palpite, somos todos treinados a não dizer o que pensamos. Seja porque seríamos presos por corrupção ou tomados como desmanchadores de prazer; seja porque faz parte de nossa persistente camada aristocrática não confrontar o outro com a tal “franqueza rude” a ser reprimida por sinalizar não o desrespeito, mas um igualitarismo a ser evitado justamente porque nivela e subverte hierarquias.
Somos a sociedade da casa e da rua. Em casa somos reacionários e sinceros; na rua viramos revolucionários e ninjas — a cara encoberta. Somos imperais em casa, quando se trata das nossas filhas, e fervorosos feministas em público, com as “meninas” dos outros. Observo que, quando há hierarquia, não há debate nem discórdias; já o bate-boca é igualitário e nivelador. Por isso ele é execrado entre nós, alérgicos a todas as igualdades. Discutir é igualar, de modo que as reações de Joaquim Barbosa assustam e surpreendem. Afinal, ele é um ministro. Como pode se permitir tamanha sinceridade? O superior não deveria discutir, mas ignorar e suprimir.

Palpite 2 (águia)
Um presidente da instância legal mais importante do país que esconde por educação suas valores seria um poltrão? E isso, leitor, é justamente o que esse Joaquim Barbosa, negro e livre, não é e não quer ou pode ser. Na nossa sociedade, você está fora do eixo (ou da curva) até o eixo entrar nos eixos. Ai você vira celebridade e começa a ser fino como um aristocrata. Na oposição seu senso crítico é gigantesco, mas no dia em que você vira governo surgem as etiquetas reacionárias. Eu queria ir, você diz, mas a minha assessoria impediu. Não ficaria bem...

Afinal ator e papel não podem operar como um conjunto? Ou devem agir se autoenganando para serem permanentemente elogiados como “espertos” ou “malandros”? Esse apanágio do nosso sistema político que glorifica a hipocrisia e condena a opinião pessoal sincera que, em circunstâncias gravíssimas como a que estamos vivendo no momento, exige o confronto e consequentemente a desagradável rispidez da discórdia?

‘Formigas na rapadura’, um texto de João Ubaldo Ribeiro.

Graúna - Personagem do cartunista Henfil.
Imagem retirada da internet, link aqui.


Publicado no Estadão. http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,formigas-na-rapadura-,1065297,0.htm acessado em: 23/08/2013 às 21:30.

JOÃO UBALDO RIBEIRO

Acho que todo mundo lembra o que disse num discurso o presidente Kennedy: “Não pergunte o que seu país pode fazer por você, pergunte o que você pode fazer por seu país.” Eu estava lendo os jornais e aí me ocorreu, como já deve ter ocorrido a muitos de vocês, que nossa prática política se orienta por uma atitude oposta a essa exortação. Ou seja, queremos saber o que o Brasil pode fazer por nós, mas não alimentamos muita curiosidade sobre o que podemos fazer pelo Brasil. Isso se expressa no comportamento de nossos governantes, que não disputam nada pensando no país, mas em abocanhar ou manter o poder, aqui tão hipertrofiado, abarrotado de privilégios e odiosamente infenso ao controle dos governados.
Para que mais, a não ser desfrutar desses privilégios, não se sabe, porque não existe projeto, além da cantilena sobre justiça social, saúde para todos, educação de qualidade e outras generalidades com as quais todos concordam. Que modelo de estrutura socioeconômica queremos, que Estado queremos, que país queremos, como chegaremos lá? Que propostas concretas são oferecidas? Ninguém diz — e os programas partidários, como os próprios partidos, causam constrangimento, pela ausência de ideias e compromissos sérios. O negócio é se eleger e se abancar, depois se vê o que se pode fazer, conforme a necessidade e a serventia para a permanência no poder. Na pátria, como se falava antigamente, ninguém se mostra muito interessado.
Tudo o que se faz hoje é visando às eleições, ou seja, a continuação no poder ou ascensão a ele. Descobriram agora essa lambança das concorrências em São Paulo, que não é propriamente inédita na história nacional, e grande parte da reação parece do tipo “viu, viu? nós rouba, mas cês também rouba!” Todo mundo na vida pública rouba, o que pode não ser uma afirmação justa, mas já virou axioma na descrição de nossa realidade e um dado importante em qualquer equação política. Invoca-se o princípio da falcatrua consuetudinária. Ou seja, se é ilegal, mas costumeiro, prevalece o costume e é considerado sacanagem e falta de coleguismo fazer denúncias ou querer punições. Que outras novidades têm para nos segredar? Quem não aposta que nada vai dar em nada?
O Estado às vezes parece ter as pernas bambas. Recomeçou o dramalhão do julgamento do mensalão e muita gente não entende mais nada, a começar por esse singular minueto processual, através do qual o Supremo Tribunal Federal vira penúltima instância, dia sim, dia não. Todo mundo quer saber se as sentenças emanadas do Supremo eram à vera ou não eram, devia ser simples de responder. Essa novela vai por aí, se arrastando já há não se sabe quanto tempo, todo dia aparece uma notícia inesperada e creio que nenhum de nós se surpreenderá se, esta semana, for noticiado que a decisão final do Supremo estará condicionada à resposta a uma consulta feita pela Câmara de Deputados, ou coisa assim, o que, com a gripe que atacou um ministro, o impedimento de outro, e o atraso de outro, leva o caso, para que tenhamos certeza de uma decisão justa, para depois do recesso do Judiciário, no próximo ano.
Vimos também a cena envaidecedora em que nosso ministro das Relações Exteriores se manifestou, conforme ouvi num noticiário, “com dureza”, sobre a espionagem cibernética americana, numa fala dirigida em pessoa ao secretário de Estado John Kerry. Disse umas verdades na cara do gringo, que o escutou com atenção, cortesia e respeito, para logo após retrucar que nos devotava desmesurado amor e descomedida amizade, mas continuaria a espionar e, acreditássemos, era para o nosso próprio bem. Se não gostarmos, claro, temos todo o direito de nos queixar ao bispo, ele compreende.

10 de ago. de 2013

A Verdade nua e crua.

Imagem retirada da internet, link aqui,
Um desabafo real que expõe o cerne da questão política Brasileira. Feito não por um "popular" mas por alguém que inserido dentro do covil municiou-se da verdade e atacou a hipocrisia geral reinante entre a corja que autodenomina-se de "parlamentares". Muitos é claro, ainda permanecem incólumes no covil. 

Vejo com o passar dos anos (o discurso é de 2006) que a classe política conseguiu superar-se (para pior diga-se de passagem).

São palavras fortes que deveriam vir dos cidadãos comuns, que desprovidos do "poder" de um senador silenciam-se frente às  injustiças e bandalheiras em geral. São verdades que até os manifestantes profissionais deveriam conhecer, mas que infelizmente não circulam pelas redes sociais.

São informações tachadas de chatas, não recebem "joinha" afinal não são fofas, e divulgando elas ninguém "fica bem na foto" até porque, neste país, política, religião e futebol não se discute!

"Vejam que País é este. Estamos aqui com seis Senadores em pleno mês de agosto, porque estamos em recesso branco. Por que não se reduz a campanha eleitoral a trinta dias e transfere-se o recesso de julho para setembro? Nós ficaríamos com o Congresso aberto, de Casa cheia, até 31 de agosto. Faríamos trinta dias de campanha em recesso oficial, remunerado."
...
"Um País que tem um Congresso desse, que tem uma classe política dessa, que tem um povo... dizem que político não deve falar mal do povo. Eu falo, eu falo. Parte da população que compactua com isso? É lamentável. E que sabe. Não é por desinformação, não. E que não é só o povão, não. É parte da elite, inclusive intelectual. Compactuam com isso é porque são iguais, se não piores. Vou continuar nessa vida pública? Para quê, para mim, chega!"

Discurso do Senador Jefferson Peres em: 2006. Falecido em: 23 de maio de 2008.


Fonte: http://www.youtube.com/embed/QhSeR-amXlQ?.

14 de jul. de 2013

F.H.C conversa com Ricardo Setti e Augusto Nunes (21/06).


Imagem retirada da internet, link aqui.

Como é bom ouvir alguém que tem algo realmente importante a dizer. Sem partidarismos, sem conclusões prontas e acabadas sem "direita ou esquerda", apenas o raciocínio puro e simples de um Estadista.

Entrevista concedida aos jornalistas Ricardo Setti e Augusto Nunes da VEJA. Vídeos extraídos do Youtube, abaixo os links correspondentes. 



“Mais havia alguma liderança ... E havia outra coisa um poder organizado ...”



“...Ela então fez a lei dos portos, ela fez à lei da mineração ninguém sabe que isso foi feito nos escritórios não houve debate, o congresso desistiu (por isso o povo está decepcionado) o congresso desistiu do papel político de condução da agenda nacional, isso é feito digamos tecnocraticamente, e vai para o congresso aí o congresso ao invés de discutir faz também o contrário negocia fisiologicamente...” 



“No sistema político atual o eleitor não é o cidadão, mas a igreja, a empresa, a prefeitura”, observa. “Como está muito distante do político, a população precisa desse intermediário. Quando o parlamentar chega ao poder ele atende quem o elegeu”.

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