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21 de jun. de 2013

Passado escrito por Reynaldo Rocha

Imagem retirada da internet, link aqui.



REYNALDO ROCHA
PASSADO
Avenida Rio Branco, Rio de Janeiro. Eu com bolas de gude esperando a cavalaria do Exército chegar para derrubar os cavalos. E apanhando de cassetete. Motivação: a volta da democracia, o fim das torturas e da ditadura. Ser contra era um risco REAL de vida. Havia um decreto (477) que expulsava estudantes de Universidades e impedia que retornassem pelos dez anos seguintes. O habeas corpus estava “suspenso”. Havia uma Justiça Militar com leis próprias e que absolvia SEMPRE os militares e condenava SEMPRE os civis. Uma Lei de Segurança Nacional, que não definia o que seria isto; podia ser tudo! Advogados eram presos por defenderem opositores dos gorilas. As mulheres militantes, antes de serem torturadas, eram seviciadas. De preferência na frente de namorados, maridos ou filhos. A censura impedia que jornalistas publicassem fotos ou filmagens. Quem desobedecia ─ como Vladimir Herzog ─ era achado enforcado em alguma cela do DOPS. Não havia uma orientação política, embora houvesse grupos de diversas tendências na luta e nas ruas. Com um só objetivo: TERMINAR COM A BARBÁRIE.
PRESENTE
Ontem no Brasil: o STF decidiu que o Congresso pode alterar o poder político no Brasil, criando partidos de primeira e de segunda. Assim a REDE de Marina Silva pode ATÉ ser criada, mas não terá direito a espaços na televisão ou ao Fundo Partidário. E o tempo de TV nas eleições ficará assim dividido: 72% para o PT e seus aliados e 28% para o resto dos partidos.
NINGUÉM PROTESTOU.
O governo forjou um projeto aceito pelos parlamentares na PEC 37: os promotores estão  proibidos de investigar qualquer denúncia que chegue ao Ministério Público! A investigação é da Polícia. (NOTA: mais de 80% dos crimes de corrupção no Brasil foram DESCOBERTOS pelo MP!).
NINGUÉM PROTESTOU.
Nesta semana o ministro Toffoli afirmou que o “julgamento” do mensalão ainda irá demorar mais 2 ANOS! (Vão aceitar embargos infringentes no STF. Ou seja, a última instância deixou de ser a última!)
NINGUÉM PROTESTOU.
Faz 203 dias que Rosemary Noronha foi identificada como lobista. Era declaradamente amante de LULA, trocou mais de 200 mails com empresários informando expressamente que iria conseguir o “favor” solicitado. Conseguia. Algumas destas empresas são as mesmas para as quais LULA hoje trabalha como lobista!
NINGUÉM PROTESTOU.
A CEF uso o Bolsa Família (com o boato) para acusar a oposição de ter sido a responsável. Descoberta, alegou que foi um erro do assessor do sub-chefe do auxiliar de gerente do secretário do Ministro. Por aí. Ficou por isso mesmo.
NINGUÉM PROTESTOU.
A inflação VOLTOU (dos 365 itens que compõem o IGP, 250 tiveram aumento de mais de 10% no último ano. DADOS OFICIAIS do IBGE). O real derrete frente ao dólar. O consumo cai. O governo reserva 18 BILHÕES de reais para emprestar aos usuários do Minha Casa Minha Vida para que comprem TVS, cama, computador, etc. Com o NOSSO dinheiro.
NINGUÉM PROTESTOU.
Dilma perdoa 1 BILHÃO DE DÓLARES devidos ao Brasil por alguns países da África, recém visitados por LULA. Motivo: este “atraso” no pagamento do empréstimo brasileiro impedia que os novos patrões de LULA (OAS, Oderbrecht e Camargo Correia) assinassem novos contratos nestes países. Entre os perdoados COM O NOSSO DINHEIRO DE IMPOSTOS estão dois ditadores africanos. Um deles, genocida, é um dos homens mais ricos da África. E conhecido por manter o povo na miséria enquanto usufrui de jato particular para jogatinas em Mônaco.
NINGUÉM PROTESTOU.
O Movimento Passe Livre (PSTU, PSOL, membros do MST (????), o PCdo B (o mesmo que roubou muito no Ministério dos Esportes ─ e continua ROUBANDO!) e a Juventude do PT (!!) querem gratuidade total nas passagens. Recusam-se a conversar. O rombo é de R$ 600.000.000,00 para bancar o aumento menor. São Paulo para pelo 4° dia de manifestação. Rio de Janeiro idem.
Em Porto Alegre e Maceió, manifestações “PREVENTIVAS” (????) contra um aumento de passagens. NOTA: não houve aumento! Eles estão só avisando. E param as duas cidades.
Ontem no RJ ─ assim como nas 3 primeiras de SP ─ foram usados coquetéis Molotov. É difícil fazer! Se não for bem feito, explode quando se acende a bucha. Na mão de quem segura. Precisa impedir a saída do vapor, ter um pavio que resista ao menos 30 segundos e que EXPLODA quando o vidro se quebrar. (A gasolina espalha-se em até 3 metros de diâmetro ao redor). Alguém sabe bem montar estas coisas. Quem?
Os manifestantes abandonaram a ideia de revogar o aumento. Agora pretendem a GRATUIDADE. É para isso que existe o Movimento Passe Livre. A violência ─ sim, também é violência! ─ de impedir que TRABALHADORES voltem para casa em uma cidade já caótica não foi notada. E foi rebatida por quem deve nos proteger.
FUTURO.
Um país que NÃO PUNE poderosos corruptos (E CORRUPTORES), que instituiu a MENTIRA como argumento (o eterno “eu não sabia”!), que substituiu a meritocracia pela indicação a partir da carteirinha do Partido, que tem 39 (!!!!) ministérios, que não aceita opositores, que deseja um projeto de poder ilimitado, que quer CONTROLAR o Judiciário (como já controla o Legislativo!), que criou tantas estatais como a ditadura militar (e só emprega nestas os apadrinhados), SÓ PODE ter uma visão DISTORCIDA de valores. E de prioridades.
Qual a prioridade? Por que as manifestações que OBRIGARAM que o STF ao menos JULGASSE o mensalão teve em BH, 200 MANIFESTANTES? Estive lá NAS DUAS VEZES! A maioria esmagadora de pessoas acima dos 40, 50 anos! EM UM SÁBADO! E EM UM FERIADO!
Qual a prioridade? Se as manifestações de ontem em SP, RJ, POA e Maceió não fossem inibidas, o que ocorreria? Pacífica? E os molotovs no RJ? E os incêndios em lixeiras? E as invasões a 4 bancos no RJ, após destruírem as portas e fachadas? E as pichações em igrejas e monumentos? A depredação de pontos de ônibus e metro? Por que o uso de máscaras tapando o rosto? E qual seria o resultado PRÁTICO?
1 ─ Acusações aos governadores (QUE CONTROLAM AS PMS E não têm nada a ver com os AUMENTOS decretados pelos prefeitos) por NÃO AGIREM, deixar o caos se instalar, querer prejudicar prefeitos de oposição, etc.
2 ─ Conseguiriam que as reivindicações fossem atendidas? Imaginemos que SIM! Quem iria pagar a operação INUSITADA da gratuidade? O governo gera renda? NÃO! Arrecada de quem trabalha! Ou seja, VOCÊ pagaria esta gratuidade. Vitória!
Enquanto isso, os mensaleiros estariam livres, os juízes ameaçados pelos governantes, as Universidades Públicas caindo aos pedaços, a carteirinha do Partido valendo mais que o curriculum, as amantes sendo bancadas com sua grana, o Parlamento sem oposição, a mentira sendo repetida, etc.
E NINGUÉM IRIA PROTESTAR!!!!
Amanhã haverá manifestação em Belo Horizonte!
Vâmbora, galera! Vamos para as ruas. Sugiro que coloquemos fogo nas lixeiras da Savassi, que arrebentemos os shoppings, que coloquemos fogo nos ônibus (especialmente a Conexão Aeroporto que é muito caro!), que enchamos de porrada os caras que usem gravata (tem muitos ali ao lado do Fórum Lafayette), que depredemos tribunais e fóruns, que façamos estes movimentos a partir do meio-dia (sábado) na Afonso Pena, Amazonas, Contorno e o mais perto possível de hospitais! Sugiro ainda tacar fogo no McDonalds (TODOS no caminho) e em algumas bancas de jornais! Essencial também é riscar os carros (especialmente os mais novos!) com pregos.
Assim teríamos aprendido com as “manifestações” de São Paulo!
A exigência desta manifestação! Sei lá!
(Só não pode ser contra a corrupção, contra a censura à imprensa pretendida, contra o projeto que não permite a REDE de Marina Silva, contra as medidas de enfraquecimento do Ministério Público ou contra a CADEIA para os condenados pelo mensalão. Neste caso, não iria aparecer NINGUÉM!)

2 de jun. de 2013

Beijar a Cruz. Escrito por Fernando Henrique Cardoso.


Imagem retirada da internet, link aqui,

Artigo escrito por: Fernando Henrique Cardoso

Beijar a cruz
Publicado em 02/06/2013.
Já passou da hora de o governo do PT beijar a cruz. Afinal, muito do que ele renegou no passado e criticou no governo do PSDB passou a ser o pão nosso de cada dia da atual administração. A começar pelos leilões de concessão para os aeroportos e para a remodelação de umas poucas estradas. No início procurava mostrar as diferenças entre “nós” e “eles”, em seu habitual maniqueísmo. “Nossos leilões”, diziam, “visam a obter a menor tarifa para os pedágios”. Ou, então, afirmavam, “nossos leilões mantêm a Infraero na administração dos aeroportos”. Dessas “inovações” resultou que as empresas vencedoras nem sempre foram as melhores ou não fizeram as obras prometidas. Pouco a pouco estão sendo obrigados a voltar à racionalidade, como terão de fazer no caso dos leilões para a construção de estradas de ferro, cuja proposta inicial assustou muita gente, principalmente os contribuintes. Neles troca-se a vantagem de a privatização desonerar o Tesouro pela obsessão “generosa” de atrair investimentos privados com o pagamento antecipado pelo governo da carga a ser transportada no futuro...
Ainda que renitente em rever acusações feitas no passado (alguns insistem em repeti-las), a morosidade no avanço das obras de infraestrutura acabará por levar o governo petista a deixar de tentar descobrir a pólvora. Já perdemos anos e anos por miopia ideológica. O PT não conseguiu ver que os governos do PSDB simplesmente ajustaram a máquina pública e as políticas econômicas à realidade contemporânea, que é a da economia globalizada. Tomaram a nuvem por Juno e atacaram a modernização que fizemos como se fosse motivada por ideologias neoliberais e não pela necessidade de engajar o Brasil no mundo da internet e das redes, das cadeias produtivas globais e de uma relação renovada entre os recursos estatais e o capital privado.
Sem coragem para fazer autocrítica, o petismo foi pouco a pouco assumindo o programa do PSDB, e agora os críticos do mais variado espectro cobram deste o suposto fato de não ter propostas para o Brasil... Entretanto, a versão modernizadora do PT é “envergonhada”. Fazem malfeito, como quem não está gostando, o que o PSDB fez e faria bem feito, se estivesse no comando.
Agora chegou a vez dos portos. Alberto Tamer – e presto homenagem a quem faleceu deixando um legado de lucidez em suas colunas semanais –, na última crônica que fez no Estado de S. Paulo: “Foi Fernando Henrique Cardoso que abriu os portos”, recordava o esforço, ainda no governo Itamar Franco, quando Alberto Goldman era ministro dos Transportes, para dinamizar a administração portuária, abrin­do-a à cooperação com o setor privado, pela Lei 8.630 de 1993. Caro custou tornar viável aquela primeira abertura quando eu assumi a Presidência. Foi graças aos esforços do contra-almirante José Ribamar Miranda Dias, com o Programa Integrado de Modernização Portuária, que se conseguiu avançar.
Chegou a hora para novos passos adiante, até porque o Decreto 6.620 do governo Lula aumentou a confusão na matéria, determinando que os terminais privados só embarcassem “carga própria”. Modernizar é o que está tentando fazer com atraso o governo Dilma Rousseff. Mas, aos trancos e barrancos, sem negociar direito com as partes interessadas, trabalhadores e investidores, sem criar boas regras de controle público nem assumir claramente que está privatizando para aumentar a eficiência e diminuir as barreiras burocráticas. Corre-se o risco de repetir o que já está acontecendo nos aeroportos e estradas: atrasos, obras malfeitas e mais caras etc. No futuro ainda dirão que a culpa foi “da privatização”... Isso sem falar do triste episódio das votações confusas, tisnadas de suspeição e de resultado final incerto no caso da última Lei dos Portos.
A demora em perceber que o Brasil estava e está desafiado a dar saltos para acompanhar o ritmo das transformações globais tem sido um empecilho monumental para as administrações petistas. No caso do petróleo foram cinco anos de paralisação dos leilões. Quanto à energia em geral, a súbita sacralização do pré-sal (e correspondentemente a transformação da Petrobras em executora geral dos projetos) levou ao descaso no apoio à energia renovável, de biomassa (como o etanol da cana-de-açúcar) e eólica. Mais ainda, não houve preocupação alguma com programas de poupança no uso da energia. Enfim, parecem ter assumido que, já que temos um mar de petróleo no pré-sal, para que olhar para alternativas?
Ocorre, entretanto, que a economia norte-americana parece estar saindo da crise iniciada em 2007/8 com uma revolução tecnológica (de discutíveis efeitos ambientais, é certo) que barateará o custo da extração dos hidrocarburetos e colocará novos desafios ao Brasil. A incapacidade de visão estratégica, derivada da mesma nuvem ideológica a que me referi, acrescida de um ufanismo mal colocado, dificulta redefinir rumos e atacar com precisão os gargalos que atam nossas potencialidades econômicas ao passado. Não é diferente do que ocorre com a indústria manufatureira, quando, em vez de perceber que a questão é o de reengajar nossa produção nas cadeias produtivas globais e fazer as reformas que permitam isso, faz-se um política de benefícios esporádicos, ora diminuindo impostos para alguns setores, ora dando subsídios ocultos a outros, quando não culpando o desalinhamento da taxa de câmbio ou os juros altos (os quais tiveram sua dose de culpa) pela falta de competitividade de nossos produtos.
As dificuldades crescentes do governo em ver mais longe e administrar corretamente o dia a dia para ajustar a economia à nova fase do desenvolvimento capitalista global (como o PSDB fez na década de 90) indicam que é tarde para beijar a cruz, até porque o petismo não parece arrependido. Melhor mudar os oficiantes nas eleições de 2014.

30 de mai. de 2013

Sessão de Terapia - Escrito por Arnaldo Jabor.

Figura retirada da internet.
Sessão de terapia
ARNALDO JABOR - O Estado de S.Paulo
21  maio de 2013 | 2h 10

"Doutora, eu procurei a psicanálise porque tenho tido pesadelos: sonho que morri assassinado por mim mesmo, que estou preso com traficantes estupradores. Não mereço isso, eu, que sempre assumi minha condição de corrupto ativo e passivo. (Sem veadagem..., claro.) Não sou um ladrão de galinhas, mas já roubei galinhas do vizinho e até hoje sinto o cheiro das penosas que eu agarrava. Hahaha... Mas hoje em dia, doutora, não roubo mais por necessidade; é prazer mesmo. Estou muito bem de vida, tenho sete fazendas reais e sete imaginárias, mando em cidades do Nordeste, tenho tudo, mas confesso que sou viciado na adrenalina que me arde no sangue na hora em que a mala preta voa em minha direção, cheia de dólares, vibro quando vejo os olhos covardes do empresário me pagando a propina, suas mãos trêmulas me passando o tutu, delicio-me quando o juiz me dá ganho de causa, ostentando honestidade e finge não perceber minha piscadela marota na hora da liminar comprada (está entre US$ 30 e US$ 50 mil hoje).
Como, doutora? Se me sinto "superior" assim? Bem, é verdade... Adoro a sensação de me sentir acima dos otários que me "compram" - eles se humilhando em vez de mim.
Roubar me liberta. Eu explico: roubar me tira do mundo dos "obedientes" e me faz 'excepcional' quando embolso uma bolada. Desculpe..., a senhora é mulher fina, coisa e tal, mas, adoro sentir o espanto de uma prostituta, quando eu lhe arrojo US$ 1.000 sobre o corpo e vejo sua gratidão acesa, fazendo-a caprichar em carícias. É uma delícia, doutora, rolar, nu, em cima de notas de US$ 100 na cama, de madrugada, sozinho, comendo chocolatinhos do frigobar de um hotel vagabundo, em uma cidade onde descolei a propina de um canal de esgoto superfaturado. Gosto da doce volúpia de ostentar seriedade em salões de caretas que me xingam pelas costas, mas que me invejam pela liberdade cínica que imaginam me habitar. Suas mulheres me olham excitadas, pensando nos brilhantes que poderiam ganhar de mim, viril e sorridente - todo bom ladrão é simpático. A senhora não tem ideia aí, sentada nesta poltrona do Freud, do orgulho que sinto, até quando roubo verbas de remédios para criancinhas, ao dominar a vergonha e transformá-la na bela frieza que constrói o grande homem.
Sei muito bem os gestos rituais da malandragem brasileira: sei fazer imposturas, perfídias, tretas, sei usar falsas virtudes, ostentar dignidade em CPIs, dou beijos de Judas, levo desaforo para casa sim, sei dar abraços de tamanduá e chorar lágrimas de crocodilo...
Eu já declarei de testa alta na Câmara: "Não sei nem imagino como esses milhões de dólares apareceram em minha conta na Suíça, apesar desses extratos todos, pois não tenho nem nunca tive conta no exterior!". Esse grau de mentira é tão íntegro que deixa de ser mentira e vira uma arte.
Doutora, no Brasil há dois tipos de ladrões de colarinho branco: há o ladrão "extensivo" e o "intensivo".
Não tolero os ladrões intensivos, os intempestivos sem classe... Falta-lhes elegância e "finesse". Roubam por rancor, roubam o que lhes aparece na frente, se acham no direito de se vingar de passadas humilhações, dores de corno, porradas na cara não revidadas, suspiros de mãe lavadeira.
Eu, não. Eu sou cordial, um cavalheiro; tenho paciência e sabedoria, comecei pouco a pouco, como as galinhas que roubei na infância, que de grão em grão enchiam o papo... Eu sou aquele que vai roubando ao longo da vida política e, ao fim de décadas, já tem "Renoirs" na parede, iates, helicópteros, esposa infeliz (não sei por que, se dou tudo a ela) e, infelizmente, filhos estroinas... (mandei estudarem na Suíça e não adiantou).
Eu adquiri uma respeitabilidade altaneira que confunde meus inimigos, que ficam na dúvida se me detestam ou admiram. No fundo, eu me acho mesmo especial; não sou comum.
Perto de mim, homens como os mensaleiros amadores foram meros cleptomaníacos... Sou profissional e didático... Considero-me um técnico, um cientista da corrupção nacional...
Olhe para mim, doutora. Eu estou no lugar da verdade. Este país foi feito assim, na vala entre o público e o privado. Há uma grandeza insuspeitada na apropriação indébita, florescem ricos cogumelos na lama das 'maracutaias'.
Ouso mesmo dizer que estou até defendendo uma cultura! São séculos de hábitos e cacoetes sagrados que formam um país. A senhora sabe o que é a beleza do clientelismo ibérico, onde um amigo vale mais que a dura impessoalidade de uma ética vitoriana?
A amizade é mais importante que esta bobagem de interesse nacional! O que meus inimigos chamam de irresponsabilidade e corrupção do Congresso é a resistência da originalidade brasileira, é a preservação generosa do imaginário nacional!
A bosta não produz flores magníficas? O que vocês chamam de "roubalheira", eu chamo de "progresso". Não o frio progresso anglo-saxônico, mas o doce e lento progresso português que formou nossa tolerância, nossa ambivalência entre o público e o privado.
Eu sempre fui muito feliz... Sempre adorei os jantares nordestinos, cheios de moquecas e sarapatéis, sempre amei as cotoveladas cúmplices quando se liberam verbas, os cálidos abraços de famílias de máfias rurais... A senhora me pergunta por que eu lhe procurei?
Tudo bem; vou contar. Outro dia, um delegado que comprei me convidou para ver uma execução. Topei, por curiosidade; podia ser uma experiência interessante na minha trajetória existencial. Era um neguinho traficante que levaram para um terreno baldio, até meio pé de chinelo. Ele implorava quando lhe passaram o fio de nylon no pescoço e apertaram devagar até ele cair estrangulado, bem embaixo de uma placa de financiamento público. Na hora, até me excitei; mas quando cheguei em casa, com meus filhos vendo High School Musical na TV, fui tomado por este mal-estar que vocês chamam de "sentimento de culpa"...
Por isso, doutora, preciso que a senhora me cure logo... Tem muita verba pública aí, muita emenda no orçamento, empreiteiros me ligando sem parar... Tenho de continuar minha missão, doutora..."

 E não é que ele tem razão...

18 de mai. de 2013

A Luta continua. Editorial do Estadão.


Imagem retirada da internet, link aqui.

PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA QUARTA-FEIRA-15-05-2013.

O resultado do julgamento da Ação Penal 470 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) inoculou na consciência cívica dos brasileiros a esperança de que uma nova era no funcionamento da Justiça relegue à condição de mera má lembrança a impunidade dos poderosos que historicamente tem comprometido a consolidação do pleno sistema democrático entre nós. Poucos meses após a condenação dos criminosos de colarinho branco que quiseram transformar a política em balcão de negócios, em benefício de interesses partidários, no entanto, já se começa a recear que o julgamento do mensalão se transforme em enorme frustração nacional.
Na última segunda-feira o ministro Joaquim Barbosa, relator da ação penal e hoje presidente da Suprema Corte, rejeitou o embargo infringente apresentado pela defesa do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, condenado a mais de oito anos de prisão, que pleiteava novo julgamento com base no argumento de que a condenação pelo crime de formação de quadrilha foi decidida contra o voto de 4 ministros.
Para Barbosa, a legislação que rege os processos no Supremo deixou de prever a existência de embargos infringentes: “Não estando os embargos infringentes no rol dos recursos penais previstos na Lei 8.038/90, que regula taxativa e inteiramente a competência recursal desta Corte, não há como tal recurso ser admitido”.
Além disso, Joaquim Barbosa denunciou a clara intenção protelatória dos recursos que objetivam apenas “eternizar o feito” e advertiu para o fato de que o êxito de iniciativas desse tipo conduziria inevitavelmente “ao descrédito da Justiça brasileira, costumeira e corretamente criticada justamente pelas infindáveis possibilidades de ataques às suas decisões”.
Tem razão o presidente do STF. Mas o Direito não é uma ciência exata e, portanto, depende sempre da interpretação da norma legal – o que é, aliás, a função precípua dos magistrados. Além disso, existem poderosos interesses políticos por detrás desse julgamento.
A isso se soma a circunstância de que o STF tem hoje, e terá no futuro próximo, uma composição diferente daquela que decidiu majoritariamente pela condenação dos réus do mensalão.
Tudo isso indica que não se pode deixar de considerar a hipótese de que venham a ser aliviadas as penas originalmente impostas aos mensaleiros, poupando alguns deles – e não é difícil adivinhar quais – pelo menos do cumprimento da fase inicial da pena em regime fechado.
Diz a sabedoria popular que quanto maior a altura, maior o tombo. Ao contrariar todos os prognósticos e, numa decisão histórica, condenar figurões da política pela compra de apoio parlamentar para o governo de turno, o STF levou às alturas o brio e o orgulho cívico dos brasileiros que entendem que a coisa pública deve ser espaço privativo de homens honrados e, com a mesma convicção, acreditam que numa sociedade democrática todos são iguais perante a lei.
A reversão dessas expectativas no emblemático caso do mensalão, se ocorrer, terá o efeito inevitável e absolutamente lamentável de fazer despencar das alturas a que foram alçados nesse episódio tanto o prestígio da Suprema Corte quanto a recuperada fé dos brasileiros no manto protetor da Justiça.
A construção de uma sociedade justa e desenvolvida não é responsabilidade apenas do poder público. É meta inatingível sem a adesão de toda a sociedade, que só supera a tendência natural do indivíduo de, na adversidade, pensar antes em si próprio, se realmente acreditar nos valores a serem perseguidos e tiver fé naqueles que a conduzirão nessa jornada. O descrédito nos governantes é um atalho para o caos.
Assim, a recente decisão de Joaquim Barbosa significa mais um revés para os mensaleiros e a confirmação de que a Suprema Corte continua dando uma contribuição importante para manter o País no rumo da verdadeira Justiça.
Mas ela não é a palavra final nesse lamentável e rumoroso episódio, o maior escândalo da história recente da política brasileira. É aí que reside o perigo.

Mais da metade da população não tem acesso a internet - Matéria publicada no Estadão.



Imagem retirada da internet, link aqui.

Mais da metade da população não tem acesso à internet.

Dados da pesquisa Pnad do IBGE mostram que a proporção de pessoas que utilizaram a internet passou de 20,9% em 2005 para 46,5% em 2011

16 de maio de 2013 | 10h 00
O Estado de S. Paulo
RIO - O aumento da renda, o acesso ao de mercado de trabalho, o crédito fácil e a perda do "medo" da tecnologia entre os mais velhos foram fatores decisivos para a inclusão digital no País, entre 2005 e 2011, porém mais da metade da população de 10 anos ou mais de idade ainda não tem acesso à internet. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2011 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a proporção de pessoas que utilizaram a internet passou de 20,9% para 46,5%.
Em seis anos, houve um aumento de 45,8 milhões de internautas - média de quase 21 mil por dia. Utilizaram a internet no período de três meses antes da data da entrevista 77,7 milhões de brasileiros com 10 anos ou mais de idade, em 2011.
Embora ainda sejam as mais resistentes à rede mundial de computadores, as pessoas de 50 anos em diante tiveram peso decisivo no aumento da legião de internautas: passaram de 7,3% para 18,4% do total da população nesta faixa etária. Em números absolutos, foi o maior crescimento, passando de 2,5 milhões de usuários nesta faixa etária para 8,1 milhões - crescimento de 222%.
Outro crescimento significativo aconteceu no outro extremo, com os internautas de 10 a 14 anos. Em 2005, 24,3% das crianças acessavam a internet, proporção que saltou para 63,6% em 2011.
A pesquisa levou em consideração apenas os acessos à internet por computador, não houve perguntas sobre acesso por meio de telefones celulares e tablets.
"A inclusão digital se dá sem medo entre os jovens. Entre os mais velhos, demora um pouco, mas é crescente, inclusive para acesso a banco, para declarar imposto de renda", diz o coordenador de trabalho e rendimento do IBGE, Cimar Azevedo.
Embora a renda seja um fator importante de acesso à internet, é interessante notar que as mulheres jovens, que têm renda menor que os homens, porém maior escolaridade, estão mais na rede mundial de computadores do que os homens. E há mais usuários da internet na população com renda de 3 a 5 salários mínimos do que entre os que ganham mais de 5 salários mínimos. A explicação é que a faixa mais rica da população é também a faixa mais velha, ainda "engatinhando" no mundo virtual.
Os técnicos do IBGE chamam atenção para o grande salto entre os alunos da rede pública que passaram a ter acesso à internet no espaço de seis anos. A pesquisa não investigou o local de acesso (se o trabalho, a residência, a escola ou locais públicos como bares e lan houses) e por isso não é possível associar o crescimento à distribuição de computadores nas escolas públicas, mas, para Cimar Azevedo, é um forte indicativo da inclusão digital entre os mais pobres. Em 2005, apenas 24,1% dos alunos da rede pública usavam a internet, proporção que cresceu para 65,8% em 2011.



12 de mai. de 2013

Recordações. E a vida continua...




As recordações invadem minha alma,
Nem sempre foi assim,
Seu sorriso fácil suas boas-vindas eram para mim
Um alento, um lugar no paraíso.

Lembro-me da sua preocupação,
Do seu “estar-se solidária”,
Do receber-me no portão,
Do seu perguntar, do seu exigir do amor que teima em “controlar” tudo em minha vida,
Você não sabia, mas dessa forma mesmo relutante, sentia-me protegido, seguro, amado,
As despedidas eram breves e alegres, no outro dia eu sabia que próximo a ti estaria.

Você nada exigia apenas e tão somente você queria,
Participar estar junto aos seus,
Minha alegria era infinita, imensurável como o tempo,

A vida muda, os caminhos por capricho do destino,
São reescritos, coadjuvantes que somos nessa vida,
Não nos cabe mudar o destino, apenas cumpri-lo.

A vida não parece justa, nem tão pouco bela
Não bastava ter tirado uma da minha vida foi mais cruel, foi além,
Conseguiu duas tirar,


Primeiro a minha querida irmã um carcinoma a levou,
A vida parou para que eu respirasse  por longos 10 meses. Outra tacada vil, dessa vez minha Mãe foi "levada" logo ela que era o sustentáculo para a tempestade que enfrentávamos. 

Não pensei que um dia seria assim,
Não imaginava o quão finita poderia ser a existência,
E como a vida poderia ficar sem sentido,
Sinto falta do seu abraço, do seu sorriso da cumplicidade que existia,
Hoje homem feito ainda procuro nas minhas recordações um pouco do seu colo, da sua proteção.

Não encontro mais esse lugar, existe apenas um enorme vazio,
Sei que você descansa plácida, inerte,
Estando viva apenas em minhas memórias,
No seu túmulo apenas um nome,
Um conjunto de letras cujo significado aos outros,
Parece tão igual, tão comum.

Eu tenho me perguntado:
_E agora por onde,  e como recomeçar?

Vou caminhando querida irmã e mãe teimando com a saudade e   em alguns momentos plagiando o grande poeta Cazuza dizendo a mim mesmo: "A vida não para", 
Vivas estão em minhas memórias.
  
-Querida Mãe, e irmã!
Não sei se nos encontraremos um dia, se isso acontecer abraçarei-as olharei dentro  dos seus olhos, e direi à vocês,

Que falta vocês fazem!

As minhas queridas e amadas irmã e mãe, falecidas em 2004.

21 de abr. de 2013

Mais do mesmo.




Imagem retirada da internet,link aqui.

Vi um rapaz dos seus 40 e poucos anos deitado na calçada de uma avenida com grande fluxo de pessoas, coberto por um cobertor azul, uma mochila preta como travesseiro. Esse conjunto de informações indicava que ele deveria ter passado a noite por ali. Bem próximo um vira lata marrom claro que lhe fazia companhia. Não que cenas como essa não emoldurem o cotidiano das grandes cidades, Araçatuba nem é tão grande assim mas, infelizmente, começa a se repetir por aqui cenas mais comuns nas grandes cidades. 

Reduzi as pedaladas, pensei em tirar uma foto com o celular para ilustrar esse post que na minha cabeça nascia. Cheguei a diminuir a marcha, pedalei mais um pouco e me dei conta que o exporia a um constrangimento muito maior do que ele já passava ali. Não resolveria o problema dele e eu ainda seria muito mal interpretado.

Muitos outros passaram por ali, presenciaram a cena, e nada fizeram. Por que?  

"O que me assusta não são as ações e os gritos das pessoas más, mas a indiferênça  e o silêncio das pessoas boas”.
Martin Luther King

Continuei rumo ao trabalho que ainda estava longe. No caminho foram surgindo muitas questões. A que não quis calar foi: Esse tipo de situação não é tão incomum assim, porque afinal me escandalizei?

Por que tenho casa, emprego, formação acadêmica e um meio de locomoção? Por que a dignidade humana é bonita apenas quando falada e deveria ir além do papel ou de algum discurso, ou simplesmente porque não efetivamos aquilo que imaginamos ser o correto?

Sabemos pelas mídias, que milhões de reais são aplicados para tornar a vida dos menos favorecidos melhor, porque então de fato isso não acontece? Comentei aqui de um caso isolado, mas com certeza devem existir outros tantos espalhados nas ruas das muitas cidades do no país.

Será que o colega deitado na calçada já gastou a sua parte? Ou será que ele se esqueceu  de passar no banco e sacá-la? Pode até ser um caso isolado de alguém que tomou "todas e mais algumas" e não conseguiu chegar em casa. Será que ele tem casa? 

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