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11 de out de 2013

Ademocrático. Escrito por Cecília Maria Vidigal Ferreira.


Figura retirada da internet, link aqui.

Li esse texto em um jornal local, após a leitura disse para mim mesmo: -Simplicidade aliada a uma perspicácia tremenda, visceral, tenho que pedir autorização para reproduzi-lo. O fiz via Facebook, e sua autora gentilmente respondeu autorizando a reprodução. Sorte nossa!

A vida está cheia de "Josés" pessoas que acreditam em seus ideais mas são compelidas a continuarem como estão face a quantidade enorme de aborrecimentos que teriam que enfrentar se autênticas fossem o tempo todo. Por outro lado, talvez, nem seja a questão de ser autêntico, mas de convencer os outros o quanto esperamos que eles façam por nós o que por lógica É NOSSO DIREITO. Confesso! Sou mais um "José". Prometo que vou acordar Cecília, prometo...

Sobre a autora: Membro da UBE e da Academia Araçatubense de Letras. Licenciada em Artes Plásticas (FEBASP), Bacharel em Jornalismo, e pós-graduada em Linguagem e Comunicação (UniToledo). Cronista da Folha da Região. Autora dos livros de poemas: Instantâneos (Massao Ohno); e Vinhos (Nankin); Editora e Revisora, com prazer e orgulho.)
O Negrito no texto foi por mim colocado.
Ademocrático

Um rapazote, no distante país Faz de Conta, abre o caderno pleno de páginas por escrever. A professora quer que alunos criem palavra nova, que não se ache no dicionário e que em crônica faça sentido. 

José começa: Era uma vez um governo democ... 

Democrático? Não. Nessa onda de nada gerenciar, nada organizar e por nada ser responsável o termo “democrático” não fica aquém, nem além porque simplesmente nada representa, não cabe. Ademocrático é melhor.

Porque o antidemocrático se opõe à democracia, mas ademocrático é aquele que não vai contra, nem a favor. Muito pelo contrário. Meio que em cima de muros, detrás de máscaras, apaniguado sob siglas raivosas, equilibrado sobre gente com preço. 

Imagina-se a defender o texto: Profa, quero dizer ademocraticamente usurpadores. Usurpadores de quê, moleque? Uai, profa, da moral, do desenvolvimento, segurança, saúde, infraestrutura... Tipo: ademocrático, o governo que paga pouco, porém adiantado, pelo aluguel de pessoas-base que comprometerão o futuro de todos. 
Bela definição! 

José se anima e desenha o título da redação: O Barato Sai Caro. Segue desenhando pensares: Era uma vez uma ademocracia estática feito lixo tóxico, que de parada purgava quilos de podridão a encharcar os solos, e o sê-lo de cada ser, dia e noite impregnando entornos num lento escoar de azedos chorumes por nascentes, rios, mares... 

José, pesquisa. Navega e lê que em países evoluídos poluir águas ou terras resulta em pesadas multas. Em seu país a multa existe, mas dado que certa empresa do Governo Federal polui o mesmo rio há anos sem nunca tomar a mais mínima providência, não funciona. Descobre que em Faz de Conta navios chegam trazendo muitos contêineres de lixo tóxico vindos de terras ricas e suas indústrias altamente poluentes. Como entrariam sem encontrar autoridades corruptas com facilidade? Deve ser porque aos países cumpridores da lei o mais barato é pagar o transporte e comprar os corruptos de países nada sérios. 

José segue clicando. Uma página eletrônica após outra garante: lixo tóxico é sinônimo de câncer e envenenamentos. E porque povo estudado produz políticos cultos, países ricos não envenenam a própria terra. Assim os altamente industrializados podem e querem pagar para descartar seus resíduos sólidos onde a corrupção brotar mais fácil que a soja.

Então em Faz de Conta acontece uma propaganda para convencer o povo de que lixo é riqueza. E mesmo sabendo que nenhuma lei os levará à cadeia, buscam modificar a lei dos resíduos sólidos porque é mais barato e menos desgastante para a imagem pública evitar os longos julgamentos. 

Quem tem cargo sem consciência não se importa se o que virá serão embalagens cheias de restos de agrotóxicos, de produtos radioativos em decomposição, de lixo hospitalar altamente contaminado e outras velhacarias. Porque não nos enviarão recicláveis, claro! E quem envia, sem querer, ou talvez querendo, mata dois coelhos de uma só cajadada: livra-se dos dejetos e acaba com a concorrência do país do futuro. 

Faz de Conta ainda não se ajoelhou, chapéu na mão, morto de fome, no fundo do poço para achar que lixo é luxo, escreve José em sua indignação para com os ademocratas e suas putrefações contaminantes. Se ninguém contiver a ganância pública o povo morrerá à míngua no mais lento condenar. Talvez não os filhos, mas com certeza os netos e bisnetos da nação.

De repente José cai em si, e se a professora, tão subjugada ao sistema, der nota baixa só por discordar? Tanto professor coerente no mundo, fui cair com essa, suspira José. 

Um luto de viver penetra nosso quase herói. Acomodando as entranhas, José toma da borracha e reescreve o título de sua redação a fim de cavar outro inútil enquadrante dez: Minhas Férias.

Tanta gente no mundo! Que lutem por mim, conclui ademocraticamente.




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