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Entregue por:FeedBurner/Cidadão Araçatuba

11 de mar de 2012

Os Opostos realmente se atraem? (Ou seriam os iguais?)

Imagem retirada da internet,link na mesma.




Texto de Pimenta e Poesia e Cidadão Araçatuba.

Não vou me ater à lei da física que afirma a atração dos opostos, já tão sabida por todos. Quero ir além, refletir, confrontar, dissertar sobre até que ponto os opostos realmente se atraem ou seriam os iguais, os semelhantes que, de fato, realmente são perfeitos um para o outro justamente por serem completamente imperfeitos.

A atração entre duas pessoas é um fenômeno incrivelmente simples e complexo ao mesmo tempo: você olha e se apaixona. Gosta do que vê, acha lindo (a), diferente, sexy, doce, puro charme inexplicável, mesmo sendo alguém fora dos padrões de beleza estabelecidos, mesmo que seja aparentemente alguém  que outros não achariam tão interessante. Mesmo sendo a mais comum das criaturas. Culpa da danada da atração, a “mardita” que quando bate, acerta em cheio. Vai no alvo das carências e incompletudes da vida e cai que nem luva. E você afirma sem medo de errar que aquela pessoa é seu “número”, certinho. Feitinho (a) pra você, cabe direitinho no seu abraço.

Pode-se até inventar o sentimento, mas atração não se cria. Ela não tem meio termo: existe ou não. E é forte, de uma força que por mais que você tente, dificilmente vai conseguir deixar de sentir ou substituir por outro sentimento/sensação.

E o coração, abusado e movido à testosterona diz: “Quero essa pessoa. Quero ter, conhecer, sentir, descobrir, me arriscar. A razão nessa hora passa a anos-luz de distância. Os olhos sorriem...Sim, sou obrigada a lançar mão de um lugar-comum: atração é uma coisa mágica! E burra, algumas vezes. Bem assim mesmo: “Quem ama o feio, bonito lhe parece.” Na verdade, o que ocorre, a meu ver, é que a atração, o magnetismo, o desejo por aquela pessoa independe de quaisquer conceitos de beleza física ou leis da cosmética moderna. Não há rugas, flacidez, idade, tamanho de nariz, de boca, cabelo ou careca, gordo ou magro, azul ou amarelo. Nada interessa quando o sorriso invade diante da imagem daquele ser pelo qual seus hormônios se inquietam. Sim, o processo não só é físico, mas também químico.

Um currículo amoroso inteiro participa do evento atrativo: a Matemática que, ousada, já pensa em somar os sonhos, os desejos, os interesses, as histórias de vida, os problemas e multiplicar o prazer de estar juntos algum dia. Dividir a vida, de alguma forma viável e possível. A Biologia, mestra no Amor, prevê um encontro de dois organismos vivos – bem vivos e interativos em um ambiente cercado de lençóis brancos e janelas abertas ao luar (a biologia é romântica demais, tadinha...).
A História entra e já começa a traçar uma linha de tempo entre o primeiro contato que você teve com o ser admirado e a projetar com muita paciência histórica  uma sonhada relação entre os sujeitos. A Arte, plena e absurdamente divina expressa em cores e símbolos gráficos algo de um vir-a-ser, sonhos de uma noite de inverno. A Música é a cereja do bolo dessa atração: todas as mais belas canções ganham sentido e só então você entende o que aquele compositor quis dizer: “Olha, você tem todas as coisas/que um dia eu sonhei pra mim/a cabeça cheia de problemas/não importa eu gosto mesmo assim/tem os olhos cheios de esperança/de uma cor que mais ninguém possui...” Bem...e pra complicar só mais um pouco, entra enfim a Geografia e suas distâncias, as coordenadas geográficas, os hemisférios do corpo amado e  suas curvas sinuosas, seus rios e afluentes. E a Rosa dos Ventos que aponta sempre, atrativa e atraente, para onde se encontra o ser pelo qual seu universo conspira.

Como desgraça pouca é bobagem, a atração explode quando as impressões físicas se juntam a uma admiração pela pessoa. Aí, lamento, os amantes estão lascados, porque o que era bom fica ainda melhor. Justifica-se, plenamente: o tesão não é apenas de corpo, mas de alma. Tesão pela pessoa que o outro é torna tudo perfeito, mesmo que haja vários dificultadores e diferenças.  Ocorre que a atração não obedece, não lê os códigos das impossibilidades. Por isso ela é tão forte quando existe. E é um fator determinante para a coexistência do afeto, do amor, do carinho: ela é sempre o ponto de partida.

Certo seria, então, que o outro deva obrigatoriamente sentir as mesmas sensações, ter as mesmas expectativas, os mesmos sonhos e a mesma visão da vida a dois. Mas como algo semelhante pode ser diferente? E como a igualdade pode provocar sensações de repulsa? Os psicólogos dizem que a antipatia natural que sentimos por alguém sem mesmo conhecê-la totalmente, deve-se ao fato de visualizarmos na pessoa algo que verdadeiramente SOMOS!

 Quem gostaria de viver com um clone seu? Dá Para imaginar? Todos os seus defeitinhos juntos, suas manias, suas neuroses piscando a sua frente e  lembrando o tempo todo: -Olha eu sou você! Estou aqui, na sua frente com todos os SEUS defeitos!

 Tenho verdadeiro asco de alguns casais que ficam demonstrando afeto explícito em público, é “benzinho”, “amoreco”, “momoi”, ”pretinho (a)” às vezes os envolvidos vivenciam personagens num teatro onde o que importa é o que os outros pensam, no caso, a sociedade. Não representa necessariamente o que realmente sentem um pelo outro. Pois na primeira oportunidade, traem, mentem, conspiram, mas para a sociedade devem permanecer felizes. Há exceções. Deve haver! Mas são ex-ce-ções!

Nossas aspirações podem ser traiçoeiras, projetamos no outro aquilo que nos falta. As diferenças físicas e psicológicas não passam de meras projeções, pois temos a tendência nata de, no começo de qualquer relacionamento, ”aproveitar o melhor do outro”. Às vezes o amor está ao lado, mas não conseguimos enxergar, pois o nosso “Apolo” ou a nossa “Vênus” já foram idealizados. Não existem pessoas que se apaixonam por atores ou atrizes? Essa paixão pode ser desencadeada por causa do personagem que este ou esta representaram.                     
 Quantos de nós podemos verdadeiramente esperar algo do (a) companheiro (a), sim, daquele (a) mesmo (a) que há anos vive ao nosso lado?

O que esperamos do outro, praticamos? Não se trata então de esperar o igual ou o diferente, mas do mais puro raciocínio lógico. Somos adultos e como tal conhecemos a maioria das armadilhas que o amor nos apresenta. Tudo que não temos torna-se nosso objeto de desejo. No amor é assim, uma troca, correspondência (ou não) de tudo ou quase tudo. Alguns acham que as projeções são objeto de um “eu” pouco desenvolvido. E fica a pergunta: -Se não me conheço como posso esperar algo do outro?

Quem é o diferente então? E se dois pensam assim, são infelizes. Os poetas veem amor em tudo, transpiram essa pluralidade de idéias, mas e na prática? Realizam-se? Os que conseguem, são porque não tem apego a nada, a ninguém. Hoje ele é dela, amanhã ... quem sabe?

No amor infelizmente cabe: Raciocínio, lógica, frieza, egoísmo, altivez e uma boa dose de indiferença, só depende de quem aplica e de quem recebe, só isso!
“O amor é bom, não quer o mal, não sente inveja ou se envaidece...” Será? A Legião Urbana, parafraseando a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, que me desculpe, mas depende de quem ama ...

A poesia não deixa que vejamos o quanto esse sentimento chamado AMOR é desconhecido por nós. Definições temos aos montes, mas a forma de perceber e amar de cada um é completamente diferente. Por tanto, ao meu ver, amamos o diferente e o igual, pois cabe a nós aparar as arestas e tornar o diferente ou o igual exatamente como achamos que deve ser “a pessoa ideal” portanto, não existe. Existe alguém em quem você projetou suas expectativas e isso PODE vir a trazer a felicidade. Todos esses sentimentos (amor, ódio, paixão, tesão) tudo se encaixa numa racionalidade visceral.

A vida que me ensinaram como uma vida normal
Tinha trabalho, dinheiro, família, filhos e tal
Era tudo tão perfeito se tudo fosse só isso
Mas isso é menos do que tudo
É menos do que eu preciso
Agora você vai embora
e eu não sei o que fazer
Ninguém me ensinou na escola,
Ninguém vai me responder...”
                                                                     Educação Sentimental II

O Kid Abelha define a vida normal nessa música de forma magistral. 
Fica a pergunta:
                              O que é ser normal? Ser igual, ou ser diferente?


9 comentários:

HAMILTON BRITO... disse...

Ah! ta bom que vou me preocupar com isto. Como diz a música:" deixo a vida me levar, vida leva eu..."
Leia o livro O banquete, de Platão. Lá esta explicado o porquê desta zona toda.

Atena disse...

Atração e amor humanos ninguém explica, nem justifica.
Somos seres paradoxais e difíceis de entender. Falam muito que a mulher é difícil de entender, mas acho que ambos o são.
Quanto a viver com um clone, eu adoraria viver com o meu. Considero-me uma companhia muito interessante e instigadora, apesar dos meus defeitos... Tenho certeza que a vida com meu clone seria interessantíssima e com homéricas batalhas, lógico. rsrs
abraços

Yolanda Hollaender disse...

Somos únicos, portanto, penso que não existem iguais... Procura-se no outro as expectativas, os sonhos, as projeções de toda uma vida. O amor surge da convivência e da certeza que vale a pena insistir na relação.
E, quando acaba, Kid Abelha define bem: "Ninguém ensina na escola, tampouco alguém irá responder."
Um bom texto para reflexão!
Meu forte abraço aos autores.
Yolanda

PIMENTA E POESIA (Maria Tereza) disse...

Tá vendo só, Paulo? Veja as palavras de Yolanda:
"Procura-se no outro as expectativas, os sonhos, as projeções de toda uma vida. O amor surge da convivência e da certeza que vale a pena insistir na relação.".
E nossa querida Atena:"Atração e amor humanos ninguém explica, nem justifica.
Somos seres paradoxais e difíceis de entender."
E o meu querido Zé, nos sugerindo Platão (ele é foda...kkk).
Amor é tudo isso, meu caro. Irracionalidade, emoção e projeção. E eu sei que você sabe disso. Longe de mim querer ensinar o Padre Nosso ao vigário. Na boa...

Cidadão Araçatuba disse...

Grande Zé sempre filosofando. Ou não? Platão? Deixa a vida me levar...
Abração!

Cidadão Araçatuba disse...

Atena você colocou muito bem, mas quanto a questão do clone lembrei-me de um texto seu, e naquela ocasião comentando eu disse que não suportaria viver com um clone meu lembra-se? Continuo achando isso!
Obrigado pela presença e pelos comentários!
Grande Abraço!

Cidadão Araçatuba disse...

Obrigado amiga Yolanda os seus comentários e que enriquecem o texto. Obrigado pela presença!

Cidadão Araçatuba disse...

Não sei muito não viu! rs...
O que dizer da minha parceira literária?
Você é suspeita viu! Afinal 99% dos sonhos projetados no texto são seus, a minha parte é só raciocínio. Abração!

Samanta Sammy disse...

Olá amigo !!!

Maravilhoso o artigo, eu particularmente nunca fui muito romântica, mas é claro já fiquei cega, surda e muda de apaixonite várias vezes, acreditando que era amor, quando na verdade eram apenas emoções conflitantes, carência, etc.
Depois de fazer terapia, meu caos interno se acalmou e pude ver que nossas escolhas e atração estão ligadas a nossas experiências na infância e também as que adquirimos vida afora.
Nosso cérebro é o responsável por tudo e vai escolhendo de acordo com o que armazenamos, por isso a terapia foi ótima para mim, pois depois disso, com tranquilidade interior, me interessei por uma pessoa com muitas diferenças mas que estava como eu disposta a aprender e admirar isso , pois de outra forma, as diferenças acabam criando um campo de batalha, dependendo do ego dos envolvidos... então concordo que toda forma de amor e todas as emoções vividas dependem sim de quem ama, e de como está preparado ou disposto para amar :)

Adorei !
Grande abraço e boa semana !!!

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